Colônia

Com cerca de 77 km quadrados, as terras que inicialmente foram território sagrado dos índios Tupinambás e já abrigaram o antigo Engenho de Nossa Senhora dos Remédios foram desapropriadas no início do séc. XX para o desenvolvimento de um projeto de tratamento psiquiátrico considerado na época inovador. A recuperação dos alienados se daria pelo trabalho em colônias agrícolas. Em pouco tempo, o projeto terapêutico tornou-se obsoleto, perdendo a sua característica de reabilitação pelo trabalho para se transformar em um depósito de gente, loucos considerados irrecuperáveis. Chegou a abrigar cerca de cinco mil pacientes. Uma verdadeira “cidade de loucos”.

No início dos anos 80, a instituição iniciou uma transformação do seu modelo assistencial em consonância com a Reforma Psiquiátrica que vinha acontecendo em diversos países. Foram abolidos o eletrochoque e as lobotomias, além de terem sido proibidas novas internações de longa permanência. Desenvolveu-se um programa de desinstitucionalização para promover a transferência progressiva de pacientes para fora das instalações hospitalares.

Como reflexo das mudanças ocorridas no conceito de tratamento das doenças mentais e da desocupação gradativa do manicômio, uma nova virada se dá no destino das terras da Colônia, anteriormente preenchidas por casas dos funcionários e então ocupadas desordenadamente por 20 mil moradores de 6 favelas que se formaram no local. A região passa agora por um processo de revitalização urbanística, com a criação de casas populares, creches, certificação de título de propriedade das terras para os moradores, e assim a antiga Colônia se abre e se transforma no mais novo bairro da cidade, mantendo ainda a preocupação de preservar seu passado histórico e arquitetônico e sua área de preservação ambiental.