Além das 50 obras de Arthur Bispo do Rosário, Pola Fernandez, Seu Hernandez, Val Souza e Ercília Stanciany a mostra também apresentou obras do Atelier Gaia, o podcast ”Não coma o Microfone” de Veridiana Zurita, participante do programa de residência artística Casa B. A exposição contou ainda com a participação de 32 crianças que integram o projeto Clubinho da Mata, realizado pela Fiocruz Campus da Mata, ocupando a maior galeria do Museu e com o projeto Cine Taquara, através de uma parceria com o Ilumina Zona Oeste. 

No mezanino do Grande Salão, encontramos as obras de três artistas integrantes do Atelier Gaia: Arlindo Oliveira, Victor Alexandre e Pedro Mota.

Arlindo Oliveira, nascido no Rio de Janeiro, foi internado na Colônia Juliano Moreira ainda criança. Com a Reforma Psiquiátrica passou a viver em sua própria casa e à trabalhar como artista. É um dos mais antigos integrantes do Atelier Gaia. Em suas criações – que dedica especialmente às crianças-  usa suportes variados e técnica mista, juntando elementos como madeira, luzes, objetos utilitários e brinquedos coletados no território onde vive e trabalha.

Alexandre Victor, nascido no Rio de Janeiro, faz parte do Atelier Gaia  há 8 anos e se interessa pelo desenho, sobretudo o desenho figurativo de pessoas e personagens. Além dos suportes tradicionais, como o papel e a tela, passou a explorar outra superfície: as tampas das marmitas que embalam as refeições dos usuários dos serviços de saúde mental, disponibilizadas diariamente pelo Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira. O grande volume de desenhos realizados nessas superfícies – centenas – também indicam uma forte dimensão temporal na relação cotidiana com a instituição. 

Pedro Mota, integrante do Atelier Gaia, experimenta em seu trabalho as relações entre cores e formas. Em Utopias, explora diferentes suportes e escalas. Além de seu mar, representado na parede da galeria Stela do Patrocínio, um conjunto de desenhos realizados em papéis de tamanho A4 (210×297 mm), compõem um grande mural com aproximadamente 3×3 metros de altura e largura. Usando tinta ou giz de cera, seus materiais preferidos, sempre encontramos em suas obras muitas cores, que parecem brincar com nossos olhos. Outro elemento em comum a todas as suas obras é o título: Prosperidade, felicidade em tudo. Segundo o artista, todos os seus trabalhos compõem uma grande obra cujo objetivo é transmitir felicidade e prosperidade a todas as pessoas!

Cuidar do corpo, da casa, do bairro, da cidade, da natureza é algo que se aprende em todas as idades. O projeto Clubinho da Mata promovido pelo Programa de Desenvolvimento do Campus Fiocruz Mata Atlântica (PDCFMA) inspira-se na pedagogia de Paulo Freire para a construção de conhecimentos sobre saúde urbana e ambiental com crianças de 06 a 11 anos a partir da realidade em que vivem. O objetivo é oferecer atividades lúdicas que estimulem um olhar curioso e reflexivo sobre problemas socioambientais e de saúde no território, com a elaboração interna de valores, conhecimentos, aptidões e atitudes voltadas para uma cidadania ativa na preservação do equilíbrio ecológico, bem como, uma vida saudável, sustentável e solidária.

Em 2019 o projeto iniciou com um reconhecimento do território através de três eixos:  o passado (conhecer mais a história da Colônia Juliano Moreira com entrevistas feitas pelas crianças com pessoas que vivem aqui há muitos anos), o presente (um percurso a pé com registro fotográfico pelas crianças) e o futuro (o que as crianças  imaginam e desejam para este lugar).  Essa feliz parceria entre o Museu Bispo do Rosário e o Clubinho da Mata surgiu com a descoberta de sintonias e convergências em trabalhos de valorização do pertencimento e da história da Colônia e seus personagens – trajetos que se entrelaçam, a partir dos olhares, perspectivas e falas das crianças….que encantam, ensinam, inspiram e alimentam de sonhos e utopias todos nós.

Em Utopias: A vida para todos os tempos e Glória a artista Veridiana Zurita desenvolveu o projeto Não Coma o Microfone (Don’t Eat The Microphone) no contexto do atual Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira, do qual o Museu Bispo do Rosario é parte. Em suas primeiras edições o projeto foi realizado no hospital psiquiátrico Dr. Guislain (Gent/ Bélgica) em colaboração com um grupo de psicanalistas, artistas, ativistas, usuários dos serviços de saúde mental e pesquisadores. 

Para realização do projeto junto ao mBrac, Veridiana Zurita participou do nosso programa de residência artística Casa B. Nesse período foram realizados três encontros com artistas, usuários e profissionais dos serviços de saúde para a gravação de um programa de rádio/podcast onde conversamos sobre capitalismo e saúde mental com recorte de raça, classe e gênero e improvisamos um espaço utópico de tensionamento das normas neuróticas impostas aos espaços de convivência. A experiência também resultou numa instalação colaborativa, como um eco deste acontecimento, composta pelos registros de falas e pensamentos que atravessaram os encontros, em superfícies de papelão reaproveitados. A instalação está localizada no espaço que abrigou os encontros: a sede do Polo Experimental de Convivência, Educação e Cultura. 

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